Explicando minha depressão para a minha Mãe: Uma conversa

18 de out de 2016
Explicando minha depressão para a minha Mãe: Uma conversa

Esses dias eu tava caminhando pela interwebs e acabei esbarrando em um vídeo da performance dessa poesia linda chamada Explicando minha depressão para a minha Mãe: Uma conversa. 

Poesias performadas são tão lindas e essa realmente me tocou muito. Basicamente essa poesia traz uma conversa entre uma mãe e sua filha que sofre de depressão e ela tenta explicar pra sua mãe como se sente e como ela está doente.

Ela é em inglês e quem a escreveu e a performou foi a Sabrina Benaim. Vocês podem encontrar a letra dela em inglês aqui mas eu vou deixar a minha tradução pra vocês poderem entender melhor.

Mãe, minha depressão é um metamorfo.
Um dia é tão pequena quanto um vagalume nas mãos de um urso.
No outro, é o urso.
Nesses dias eu me faço de morta até o urso me deixar em paz.
Chamo os dias ruins de: "Os dias escuros"
Minha mãe diz, "Tente acender velas"
Quando vejo uma vela vejo a carne de uma igreja, vejo fagulhas de uma chama.
Faíscas de uma memória mais jovem que o meio dia.
Estou em pé ao lado do caixão aberto.
E este é o momento em que percebo que todas as pessoas que conheci um dia irão morrer.
Além disso Mãe, não tenho medo do escuro.
Talvez isso seja parte do problema.
Minha Mãe diz, "Achei que o problema era que você não conseguia sair da cama."
Não consigo.
A Ansiedade me mantém refém dentro da minha casa, dentro da minha cabeça.
Minha Mãe diz, "E de onde veio essa ansiedade?"
A Ansiedade é a prima que veio de fora da cidade pra fazer uma visita e a Depressão se sentiu obrigada a trazer para a festa.
Mãe, eu sou a festa.
Só que eu sou uma festa na qual não quero estar.
Minha Mãe diz, "Por que não tenta ir para festas de verdade, ver seus amigos?"
Claro, eu faço planos.
Faço planos mas não quero ir.
Eu faço planos porque sei que deveria querer ir.
E sei que as vezes eu gostaria mesmo de ir.
Mas não é divertido se divertir quando você não quer se divertir.
Veja Mãe, toda noite a insônia me puxa para seus braços, me joga na cozinha no pequeno brilho do fogão aceso.
Insônia tem esse jeito romântico de fazer a lua parecer a mais perfeita companhia.
Minha Mãe diz, "Tente contar ovelhas."
Mas tudo que minha mente consegue contar são razões pra permanecer acordada.
Então eu saio para caminhar mas meus joelhos tinem como colheres de prata seguradas por braços fortes com pulsos soltos.
Eles soam nos meus ouvidos como sinos de igreja barulhentos.
Me fazendo perceber que estou sonambulando em um oceano de felicidade no qual não posso me batizar.
Minha Mãe diz, "Felicidade é uma escolha."
Mas minha felicidade é oca como uma casca de ovo vazia.
Minha felicidade é como uma febre alta que vai me quebrar.
Minha Mãe diz como sou boa em fazer algo do nada.
De repente me pergunta se tenho medo se morrer.
Não.
Eu tenho medo de viver.
Mãe, eu sou solitária.
Acho que quando o Pai foi embora eu aprendi a transformar raiva em solidão.
E a solidão em ocupação.
Então quando digo que tenho estado super ocupada nos últimos tempos
Quero dizer que tenho pegado no sono assistindo o canal de esportes no sofá.
Para evitar confrontar a minha cama vazia.
Mas a Depressão sempre me traz de volta para a cama.
Até meus ossos virarem fósseis esquecidos de um esqueleto afundado.
Minha boca um jardim de dentes quebrados de tanto baterem uns contra os outros.
O oco auditório do meu peito falece junto aos ecos das batidas do meu coração.
Mas sou uma esquecida turista por aqui.
Nunca vou saber por onde estive verdadeiramente.
Minha Mãe ainda não entende.
Mãe! Não vê que nem mesmo eu consigo?


Esse é o vídeo da apresentação dela, infelizmente não achei nenhum com legenda e o vídeo é mais tocante quando se conhece as palavras, né? Mas espero que vocês vejam e de coração aberto mesmo.

Trouxe essa poesia hoje justamente pra lembrar vocês que muitas pessoas sofrem com isso, não percebemos mas as vezes a pessoa que tá ao seu lado no ônibus ou que você viu caminhando do outro lado da rua pode estar se sentindo assim. 

Depressão é uma doença que não tem cura e ela desencadeia várias outras coisas como a ansiedade e tendências suicidas. Peço que se você conhece alguém que sofre com isso ou até mesmo alguém que você sabe que anda triste, seja amigável. Esteja lá pra essa pessoa, um gesto pequeno como um simples "Olá" mais animado ou até a preocupação de perguntar se está tudo bem com ela vai ser algo grande no futuro. 

Tenho uma amiga que vive brigando comigo por sempre sorrir pras pessoas estranhas (perigoso, eu sei) mas mesmo assim eu não consigo parar. Todos nós já estivemos tristes um dia e sabemos como é horrível se sentir mal consigo mesmo ou com sua vida então por que não simplesmente sorrir pras pessoas? Por que não tentar alegrar alguém? Pode parecer pequeno mas ajuda muito mais do que pensamos. 

Este post foi mesmo de conscientização, espero que tenham absorvido algo bom daqui e que pensem melhor antes de andar de cara amarrada ou dar aquele famosinho olhar de cima a baixo na coleguinha né?  

Beijão e até a próxima!

4 comentários:

  1. Tema bem intimo não é?
    Eu já passei por um periodo de depressão, hoje sou exatamente igual a você, sorrio para todos, conhecidos ou não, as vezes o que outra pessoal precisa é apenas de um sorriso, mesmo que seja de alguem desconhecido, sei bem como é!
    arrasou !
    beijos
    http://www.tatycamposblog.com/

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    1. Que bom saber disso! Espero que continue assim <3
      Beijão

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  2. Gostei muito do post, e obrigada por colocar aqui a tradução. É um tema muito sério, é uma doença silenciosa que tira muitas vidas. Devemos sempre ser ombro amigo para as pessoas próximas, nunca sabemos quando elas precisam de nós.
    Charme-se

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    1. Que bom que gostou, Simone! <3 Exatamente, como eu disse, não custa nada dar um apoio pra alguém. Um dia pode ser você precisando desse apoio. Beijão

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